E agora, Maria?

Por Karina Leyser

E agora, Maria?

O Dia da Mulher passou,

o foco da equidade apagou,

as oportunidades sumiram,

o discurso esfriou,

e agora, Maria?

e agora, você?

 

Espero que Drummond não esteja se revirando no túmulo pela minha pobre liberdade poética, mas nada me pareceu mais adequado para este texto. O mês de março passou e, com ele, em muitos casos, o foco da equidade de gênero nas organizações.

Às vezes parece que nos acostumamos com isso…ganhamos foco, flores, bombons e cartões no dia da mulher, e depois tudo volta ao que era antes. Nesta hora, podemos até pensar – “Ah, mas isso é culpa da diretoria que não enxerga o nosso potencial ou do RH que não faz nada“…por que será que é mais fácil colocar a culpa no outro e nos conformar?

Fonte da Imagem: The Next Scoop

                                                     Fonte da Imagem: The Next Scoop

Isso acontece porque gostamos de um lugar chamado zona de conforto…aquele lugar gostoso, quentinho, familiar, confortável, em que já temos controle sobre tudo e todos. O problema é que nesse espaço não há crescimento, esse espaço não permite a mudança que tanto precisamos na nossa vida e também na sociedade em que vivemos.

“Mas o que eu posso fazer? Sou só uma analista, não tenho autoridade para fazer nada”, será? Engraçado como geralmente pensamos que só passos gigantescos e projetos de grande abrangência fazem diferença, mas não é verdade. Toda mudança começa com pequenas ações – uma por vez, que podem gerar uma reação positiva em cadeia no círculo social do qual você faz parte.

E por onde começar? Sugiro começar refletindo sobre onde você está e como você se sente aonde está. Você está satisfeita com o cargo/emprego/salário que tem? Existe espaço para crescer e negociar? Se não, o que é necessário? Pode ser uma questão de autodesenvolvimento ou até uma questão de posicionamento, e a partir deste entendimento, ações podem ser feitas. Depois de olhar para si, pode-se então olhar para as outras mulheres ao seu redor. Tem alguma mulher que você admira e pode se aproximar? Tem alguma mulher que está precisando de seu apoio e conselho? Perdemos muitas oportunidades de apoio e crescimento por acharmos que estamos sozinhas nos nossos desafios, mas posso garantir que não estamos.

Há tanto que podemos fazer, mesmo sem termos cargo gerencial. Precisamos nos tornar protagonistas da equidade de gênero, não somente as suas beneficiárias.

precisamos marchar, Maria

Maria, para onde?

 

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