A liberdade mora ao lado da insatisfação

Por Bárbara Stainsack

Estamos confusos. Nunca tivemos tanta liberdade e nunca estivemos tão presos. Nossos pais e muito menos nossos avós não conseguiriam ter a menor noção do tamanho do poder que teríamos sobre nossas próprias vidas.

Mesmo diante desta nova realidade, ainda não sabemos como ser e viver livres, muito menos em harmonia com nossos iguais. Repetimos modelos e padrões, inconsciente ou conscientemente, porque para sermos verdadeiramente livres, a nossa liberdade primeiramente tem que habitar o lado de dentro.

Essa liberdade só passará a coexistir com todas as nossas incoerências e contradições quando estas forem questionadas e colocadas em cheque por quem as construiu e as alimenta: nós mesmas.

Fonte da Imagem: Jornal Opção

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Deixo de ser livre quando minhas atitudes e palavras estão embasadas no que minha família e meus amigos esperariam que eu fizesse ou dissesse.

Deixo de ser livre quando faço escolhas tendo por princípio o que religiões pregam que eu devo fazer ou deixar de fazer. Deixo de ser livre quando olho, percebo ou falo sobre meu corpo (com todas as suas partes, físicas e não físicas) e sinto qualquer coisa que não seja boa a respeito. De maneira nenhuma estou dizendo que a nossa vontade não possa ser a mesma que estas apresentadas por outras esferas de nosso existir, pelo contrário, quando são compatíveis encontramos plenitude e realização.

Tudo o que me traz raiva, revolta ou necessidade de ofender e deixar minha opinião prevalecer sobre a do outro representa algo que não está bem resolvido dentro de mim mesma: só posso ser livre para com os outros se eu já estiver livre dentro de mim mesma. Livre de desconfortos, livre de julgamentos, livre de ideias pré-concebidas, livre de cobranças. A minha liberdade só pode existir quando permito ao outro ser quem ele é, mesmo que isso não seja aquilo que eu desejo, até porque aquilo que eu não consigo conceber que possa existir pode me trazer uma visão de mundo e de mim mesma ainda melhor.

Você é livre? Considere que sim se você sente que está satisfeita, realizada e entusiasmada (e não somente confortável) em ser quem você é. Considere que sim se você reconhece e agradece a perfeição e a saúde de seu corpo, sem tabus ou autocríticas. Considere que sim se o que você faz te deixa feliz e não prejudica ninguém. Considere que sim se o que os outros falam ou demonstram não abala sua estrutura.

Já se qualquer ação externa tiver o poder de trazer de dentro de você os piores sentimentos, se você se sente menos ou mais que qualquer outro ser humano seja por qual motivo for (cor de pele, gênero, quantidade de dinheiro no banco, profissão), se você se sente no direito de julgar negativamente com pensamentos e palavras uma caminhada que não seja a sua, considere fortemente questionar o seu próprio conceito de liberdade. Talvez este seja um exercício de uma vida toda.

 

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