Livrarias de Mulheres

Por Mayra Corrêa e Castro

Há muitas maneiras de você declarar seu amor pelos livros: manter um painel no Pinterest com fotos de capas antigas, escrever um blog com resenhas, publicar no Instagram páginas com trechos favoritos. Mas uma das formas mais contundentes de fazê-lo é dedicar-se a publicá-los – ou a vendê-los.

Junto com a turba ruidosa de norte-americanos que chegaram a Paris após a Primeira Guerra, estava uma nem tão mocinha assim Sylvia Beach, com 29 anos. Ela tinha o plano bastante patriótico de tornar autores conterrâneos mais conhecidos dos parisienses através de sua livraria – a Shakespeare and Company. Pouco tempo depois, já publicava Ulysses, de James Joyce, tornando-se o epicentro da reviravolta que o livro trouxe à prosa moderna, e fazendo convergir, para a rue l´Odéon, toda uma brilhante geração de escritores, que recebeu a alcunha de “Perdida”.

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Angélica Ayres na sua Mahatma Livraria | Fonte da imagem: Mayra Corrêa e Castro

Empreendedora, Sylvia colecionou acertos e erros, mas daqueles podemos citar sua associação (na vida e nos negócios) com Adrienne Monnier, que já era livreira e trouxe experiência onde Sylvia podia oferecer apenas entusiasmo; sua rede de contatos, entre os quais Gertrude Stein, Ezra Pound e Ernest Hemingway; a decisão de atuar num nicho (literatura inglesa para franceses); e a aposta alta em algo que imortalizaria seu negócio, a própria publicação de Ulysses.

Vender livros é um empreendimento, seja na Paris no início do século XX, talvez no Brasil, talvez em Curitiba um século depois, onde poucas mulheres se aventuram. No entanto, como fazem a diferença quando isso acontece!

Angélica Ayres viveu em São Paulo a maior parte do tempo, trabalhando como editora. Então se mudou para Curitiba e abriu uma livraria para a expansão da consciência. Ela até criou essa modalidade de literatura para definir o que sua Mahatma tem nas estantes: o título certo para aquilo de que sua alma precisa. Ou, como ela gosta de dizer, “livros para iluminar a busca interior e o autodesenvolvimento”.

Após 12 anos, a Mahatma Livraria, nas Mercês, tornou-se, como a Shakespeare and Company, um epicentro lançador de tendências: os estudos da geometria sagrada, do Um Curso em Milagres, da constelação familiar, do yoga, da meditação, do vegetarianismo, entre tantos outros. Sua proprietária, assim como Sylvia, também apostou alto: na felicidade do ser humano. Ou talvez a aposta tenha sido mais singela – nos livros. Porque, assim como Quintana, também acredita que eles transformam as pessoas. E que elas transformam o mundo.

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