O bullying que persegue nossas singulares manifestações femininas

Por Janaina Barros

 

“– Papaaaaaiiiii, vem vê televisão!”  Um chamado insistente vindo do berço. Eu, por volta dos 3 anos chamava o pai ao ouvir a vinheta do Jornal Nacional. Aprendi a assistir as notícias sobre política, com a mesma atenção que prestava aos desenhos, dos Flintstones aos Jetsons e as novelas. Lembro que em 1984, Diretas Já era um assunto muito presente nas TV’s. Vi Tancredo Neves, o Coração de Estudante, ser eleito em 1985, e falecer poucos meses depois. Então com 12 anos senti que política e simpatia andavam de mãos dadas: ganhou o que me pareceu mais simpático. Não entendia o funcionamento da política, mas de tão entusiasmada, pensei: “Quando eu crescer… Acho que quero ser presidente!”

Naquele mesmo ano, tivemos eleições para a direção da escola, e a política chegou mais perto de mim. O diretor da época, enviado pela Secretaria de Educação para assumir o final da gestão anterior trouxe segurança e ordem à escola, e tentava ser eleito para dar continuidade ao trabalho. Realmente, sob sua direção, passamos a ter policiamento nas proximidades, e foi possível estudar com tranquilidade. Fez da escola, um lugar seguro para estudar. O outro candidato era um professor que já trabalhava lá há alguns anos.

 

Fonte da Imagem: Lauren Jauregui - Pare de intimidar

Fonte da Imagem: Lauren Jauregui – Pare de intimidar

Na turma de 6ª série, tínhamos aula com este professor-candidato. Com sua autoridade em sala, influenciava todos os alunos (ao menos da minha turma) pela proximidade que a posição traz. Todos? Não. Menos eu. O professor perguntava em sala aos alunos, em quem seus pais votariam neste momento fui metralhada por trinta pares de olhos, além das manifestações de reprovação ao contar que meus pais votariam no atual diretor. Para mim, se política e simpatia andavam juntas, o diretor em exercício ganhava de longe. Ele era um misto de Sidney Poitier com Morgan Freeman. Além de simpático, era aos meus olhos inteligente e elegante. Em casa decidimos por apoiá-lo. E como falar não era meu forte desde os 6 anos, produzi um cartaz em apoio ao meu candidato. Pedi autorização na secretaria para colar no local próprio, e quando ia fazer, para minha surpresa meus colegas de turma estavam às minhas costas, me sufocando para tirar da parede minha manifestação política. Ameaçavam me bater ali mesmo.

Fui salva pelo diretor que foi verificar o motivo do tumulto e deu uma lição de democracia e tolerância a todos nós. Meu cartaz ficou pelo tempo da campanha: não foi tirado, nem destruído. Ele mesmo iria verificar todos os dias, prometeu o diretor. Meus colegas e o professor não podiam mais me ameaçar, me senti protegida dentro e fora da escola, sendo acompanhada até em casa para não apanhar na rua com a “tchurma” no meu encalço, querendo me “pegar na esquina”. Mas a proteção não impedia os olhares de raiva e deboche dentro da sala, inclusive do meu professor, que perdeu a eleição. Para piorar a situação, ao final do ano quando da entrega de notas, tive que ouvir um discurso do professor, perante meus colegas, que nunca atribuía nota 10 para ninguém. Segundo ele o 10 era apenas para o professor, e até aquele ano, só tinha atribuído 2 notas 10. A primeira por inexperiência no começo da carreira. A segunda foi a minha: não pode descontar pontuação. Senti-me muito mal, minha nota 10 tinha gosto de zero.

Medo, mal estar, sensação de insegurança, ameaças explícitas ou veladas. Bullying. Não dava vontade de ir para a escola. Mas por sorte contei logo aos meus pais o que acontecia e pude sentir a segurança de sua proteção. Assim, não desenvolvi problemas psicológicos mais graves. O pai me levava, e uma prima mais velha que estudava na mesma escola, me acompanhava até em casa. No ano seguinte, mudei de escola e me afastei de manifestações políticas. Ou quase…

Refletir sobre estas lembranças me faz pensar nas crianças e adolescentes que passam por situações como esta todos os dias. Casos de Bullying podem ser tratados com terapia floral, tanto para o agressor, como para a vítima. Como terapeuta, avalio que essências florais como a Embaúba e Chapéu de Sol, ambas do Sistema Saint Germain, auxiliam a vítima de Bullying a superar as mágoas, a se reerguer de humilhações, seguir com a vida e superar o medo de ser vítima de novas ameaças, agressões ou ofensas. O terapeuta floral saberá indicar outras essências necessárias para associar a estas conforme casos individualmente analisados.

 

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