podeROSAS das Letras

Por Paulo Roberto Karam 

Nascida em Paris, em 2 de abril de 1914 filha do grande Advogado Dr. José Maria Pinheiro Lima e Da. Stella Macedo Pinheiro Lima. Iniciou seus estudos na capital francesa, frequentou colégios em Viena na Austria e no Tirol na Itália.Regressando com seus pais ao Brasil, Dra. Rosy matriculou-se no Colégio Cajuru de Curitiba.

No Ginásio Paranaense prestou exames, bacharelando-se em Letras. Em 1933, recebeu o grau de Bacharel em Direito pela Universidade do Paraná.

No Rio de Janeiro, concluiu o doutoramento, e defendeu sua tese na Universidade do Brasil, sendo a primeira mulher a receber o título de Doutora em Direito.

Fonte da Imagem: http://www.alep.pr.gov.br/

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Inteligente e dotada de espírito de iniciativa, uniu-se à Dra. Ilnah Pacheco Secundino, também advogada e Dra. Deloé Scalco, médica, com orientação da professora Mariana Coelho fundaram o Centro Paranaense Feminino de Cultura, sendo a sua primeira presidente, cujas atividades vieram até recentemente e segundo Maria Nicolas, continuarão em sua obra de benemerência séculos afora…

Estudiosa de Direito, em 1942 recebeu bolsa de estudo para ir à Inglaterra aperfeiçoar conhecimentos.  Durante um ano frequentou a Universidade de Cambridge. A tese apresentada ao término dos estudos, foi aprovada, valendo-lhe o diploma de Legislação Comparada daquela Universidade.

Em 1947, com o retorno do Estado de Direito no Brasil, isto é fim da ditadura de Getulio Vargas, candidatou-se a Deputada Estadual pela UDN (União Democrática Nacional), a segunda candidata, a primeira a ser eleita.

Os “Cupidos de plantão” quiseram aproximá-la do Brigadeiro Eduardo Gomes, líder da UDN na ocasião, não o conseguindo.

Desde o tempo de estudante, esteve presente nas páginas de jornais e revistas com versos de caráter lírico e modernista.

Por ocasião do Centenário do Paraná, com o aplauso e colaboração de suas confreiras, idealizou e publicou “Um Século de Poesia”, obra de 623 páginas em papel fino e letras miúdas, contendo as poesias de 42 poetisas paranaenses com extenso conteúdo poético.

Na ocasião, pesquisou a Vida de Júlia da Costa, indo a São Francisco do Sul e Florianópolis investigar no local, entrevistando descendentes do poeta Carvoliva e coletando as poesias da Júlia não recolhidas em livro, assim como as respostas do  poeta “Das Rimas de Ouro”, Benjamim Carvoliva.

Fundadora da União Cívica Feminina, em 19 de novembro de 1963, foi sua primeira presidente. Participou ativamente da vanguarda revolucionaria de 1964. Em Curitiba, Londrina, Paranaguá, cidades catarinense e rio-grandenses fundou e organizou entidades cívicas femininas, convocando a mulheres a manterem-nas de pé.

“A pátria não pode prescindir do auxílio de mulheres mães e futuras mães, portanto, formadoras do alicerce da sociedade, e como tal, devem ser instruídas e educadas.” no texto de Maria Nicolas.

De coração sensível, em 1970, idealizou e promoveu o “Banco do Mutirão” com a finalidade de evitar o despejo de várias famílias, residentes na Vila Nossa Senhora da Luz, então ameaçadas pelo BNH de despejo por falta de pagamento. Cerca de 260 famílias foram beneficiadas na ocasião.

A Dra. Rosy doou imóveis à Federação das Bandeirantes do Brasil e à Fundação de Assistência do Menor Aprendiz (FAMA), gerando emprego para mais de 2000 menores, além de lhes conceder oportunidade de frequentar aulas. Faleceu aos 88 anos, em 2002.

 

Bibliografia:

  • A Mãe e o Direito Civil, tese de Doutoramento, 1934
  • The Basis of Private International Law, Cambridge, 1943
  • Vida de Julia da Costa, 1953
  • Poeira de Sol, poesias 1953
  • Poesias em Um Século de Poesia do Centro Paranaense Feminino de Cultura, 1953
  • Biografia em Maria Nicolas, Pioneiras do Paraná e 150 anos de Vida Parlamentar;
  • artigo em Sesquicentenáro da Poesia Paranense – Pompília Lopes dos Santos, 1985
  • Há uma página resumida na Wickipedia
  • Rosy Pinheiro Lima -3

 

Carta de Aniversário

Os teus anos, Paizinho

São pérolas que tombam no azul da Eternidade

Os votos meus,  vestidos de saudade

levam-te todo meu amor e todo meu carinho.

 

Esta carta tão verde é um pedacinho

de esperança que vivas cercado de amizade,

que tenhas sempre mais felicidade

e que as bênçãos do Céu te protejam o ninho.

 

Que a vida, meu Pai querido,

como um caminho florido

te seja toda de cores.

 

Aí vão os meus desejos.

Os versos são o meu beijo,

as letras as minhas flores.”

 

Mamãe

“Em terra estranha floria a Natureza

no mês claro de abril em que nasci

quando a vida meus olhos abriu

para a sua beleza,

mas foi o teu sorriso o primeiro que vi.

 

Quando em mil devaneios rosicler

minh’alma se entreabriu adolescente,

Mãe, foi o teu conselho de mulher

que dirigiu meu passo incerto e inexperiente.

 

 

Quando meu ser, num ímpeto triunfal,

desejou ser herói de mil feitos brilhantes

só tu compreendeste deste imenso ideal

deste sonho de glória, as visões deslumbrantes.

 

E quando, enfim, descrente e timorata,

quanta vez quis recuar diante do caos medonho,

deste-me novo alento – intemerata:

A tua fé emprestou asas ao meu Sonho

 

E agora, que o Destino feriu com a eterna saudade

teu coração de mãe onde a lágrima brilha

só te posso ofertar

o consolo da minha mocidade

e o coração cheio de amor da tua filha.”

 

Desconhecido

“Tu passaste e um momento

os meus olhos te viram

Nossos olhos falaram…nossos lábios sorriram

e com um só, vibrou nosso pensamento.

 

Quase foste o meu tudo

Não chegaste a ser nada.

Tiveste duração de uma bela florada

na verde primavera de veludo.

 

Quantos anos passaram

e quantos me quiseram,

mas sempre foram tuas

e somente tuas

as lágrimas que os olhos não choraram

e as –palavras que os lábios não disseram.”

 

 

 

 

 

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