Empoderamento Feminino

Liderar a si mesmo ou liderar os outros?

Por Camila Franco

Dias atrás, durante uma palestra, ouvi uma pergunta que ficou ecoando na minha cabeça:“O que é mais difícil: liderar a si mesmo ou liderar os outros?”

Minha resposta foi imediata: liderar os outros.E, até hoje, continuo discordando parcialmente da resposta que veio em seguida.

Não porque a autoliderança seja simples.Ela definitivamente não é.

Autoconhecimento exige coragem. Exige reconhecer nossos sabotadores, entender para onde vai nossa energia, identificar padrões, respeitar limites, aceitar incoerências e assumir responsabilidade pelas próprias escolhas. Mas existe algo que aprendi ao longo da vida, e que ficou ainda mais evidente quando participei de um Lean In Circle, facilitado por Lênia Luz e inspirado nos conceitos do livro Lean In, de Sheryl Sandberg.

Naquele círculo de confiança, descobri que consciência não gera transformação automaticamente.

Às vezes sabemos exatamente o que precisamos fazer.E, ainda assim, não fazemos.Talvez porque mudar hábitos seja muito mais complexo do que adquirir conhecimento.

Ao mesmo tempo, liderar pessoas também vai muito além de orientar tarefas ou acompanhar resultados. Significa lidar com histórias, expectativas, inseguranças, diferentes formas de enxergar o mundo e diferentes momentos de vida.

Por isso, talvez a felicidade nas organizações não esteja em encontrar líderes perfeitos, mas líderes conscientes.

Pessoas que desenvolvem a capacidade de perceber o que fortalece uma equipe, o que desgasta as relações, o que gera pertencimento e o que mina a confiança.

Essa reflexão ganhou ainda mais sentido quando vi a programação do Congresso Internacional da Felicidade deste ano. Uma das palestras será conduzida por Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, com o tema “Felicidade no trabalho não é benefício, é estratégia”.

Durante boa parte da minha carreira atuei no varejo, um ambiente intenso, competitivo e historicamente masculino. Acompanhar a trajetória da Luiza sempre foi uma oportunidade de observar uma liderança que defende que resultados sustentáveis passam, necessariamente, pelas pessoas. Em uma entrevista, ela afirmou: “Aprendi a escutar o que não quero ouvir.” Uma frase simples, mas que traduz uma competência essencial para qualquer líder: manter a abertura para aprender, rever convicções e crescer por meio do diálogo.

A satisfação no trabalho dificilmente nasce apenas de metas alcançadas. Ela também é construída nas relações, na segurança para contribuir, no reconhecimento e no sentimento de que aquilo que fazemos tem significado.

Talvez a autoliderança não seja ter tudo sob controle.Talvez ela seja desenvolver consciência suficiente para perceber:o que fortalece;o que drena;o que nos move;e o que já não faz sentido carregar.

Porque liderar , a si mesmo ou aos outros, nunca foi sobre perfeição.É sobre presença. E aí que justamente felicidade e liderança se encontram.

E você? Quando pensa na sua própria trajetória, o maior desafio tem sido liderar a si mesmo ou liderar outras pessoas?

Este texto faz parte de uma série de reflexões que antecede a cobertura do Congresso Internacional da Felicidade. Até novembro, vamos compartilhar ideias, provocações e aprendizados sobre bem-estar, desenvolvimento humano e os caminhos possíveis para construirmos relações mais saudáveis e mais felizes.

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Camila Franco

“Felicidade é um estado de espírito.”

*Colunista do Blog Empreendedorismo Rosa, de Lênia Luz. Juntas, realizam a cobertura do Congresso Internacional da Felicidade desde 2023.

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