Hoje acordei com um sorriso no rosto. Daqueles que a gente sente no corpo como um abraço interno, leve e gostoso.
Será que são os hormônios da felicidade em ação? Provavelmente sim. Mas vamos falar disso depois.
Porque hoje eu sei exatamente de onde veio o sorriso: de um dia bem vivido.
Um sonho realizado, tarefas quase todas cumpridas, um encontro com amigas , com direito a presentes entregues e, claro, famílias e amigos reunidos.
Mas entre tudo isso, quero destacar um sonho realizado: um simples corte de cabelo.
A longa história de um corte
Pensa numa pessoa que sempre cuidou do cabelo com carinho em todas as fases. Não estou falando de “gostar”, mas de cuidar mesmo. Mesmo quando ele estava rebelde, eu mantinha minha rotina: cortes estratégicos, cosméticos adequados e nada de químicas agressivas — cabelo fino não gosta de exageros.
Mas com a tesoura… ah, com a tesoura eu sempre me entendi. Ainda assim, sempre vivi uma pequena grande dúvida: curto ou comprido?
Não dá pra ter os dois ao mesmo tempo, certo? A menos que a gente opte por apliques ou próteses. Mas eu queria algo natural, algo meu.
E essa escolha,que parece simples, me paralisava.
Buscava referências, testava penteados, salvava fotos. Mas não me jogava.
Poucas foram as vezes em que me arrependi de um corte. E, se aconteceu, voltei correndo ao salão pra consertar.
Aliás, já levei esse dilema até para a terapia.
“Mulheres ficam lindas de cabelo comprido” eu dizia, repetindo uma crença antiga que nem era minha. Hoje dou risada. Mas já sofri com isso. Porque, mesmo amando cabelo curto, sofria cada vez que decidia mudar.
Cabelo é identidade, é poder
Hoje entendo que o cabelo é muito mais do que estética.
É identidade. É cultura. É autoestima.
É poder.
E é por isso que esse sonho realizado foi tão significativo pra mim.
Finalmente encontrei um corte que une os dois mundos: curto e comprido ao mesmo tempo.
Achei por acaso, vendo uma cabeleireira coreana em Seul. Ela fazia exatamente o que eu sonhava. Quase perdi o fôlego. Mostrei para o marido, para a filha, para as amigas. Me preparei. Inclusive financeiramente. Não ia fazer essa mudança sozinha em casa.
Chegou o grande dia.
O corte da coragem
Coração acelerado, ansiedade boa de quem planejou algo com cuidado.
Sentei na cadeira do Anderson , meu cabeleireiro há mais de 15 anos. Fidelidade é meu sobrenome.
O corte foi avançando, o secador esquentando o clima.
E, quando vi… ali estava: minha franja, as camadas, o jeito que eu mais amo.
Explodi de felicidade.
Minha vontade era mostrar pra todo mundo: “Olhem como ficou lindo!”
Mas segurei. Preferi viver primeiro no offline.
Eu, minha família, meus amigos. Quis degustar aquele momento devagar, abraçar quem acompanhou esse processo comigo.
Celebrar junto com quem torceu pra dar certo.
Então me pergunto: isso é felicidade ou alegria?
A felicidade costuma ser descrita como um estado mais profundo e duradouro.
A alegria, como uma emoção intensa e passageira.
Mas será que é mesmo assim tão separado?
Talvez a felicidade more nos pequenos atos de coragem, nos desejos realizados, nos sonhos que a gente cultiva com carinho e sem pressa.
Talvez ela venha em forma de alegria, e permaneça em forma de memória boa, de autoestima fortalecida, de amor próprio.
Ou, como disse a escritora e ativista Audre Lorde*:
“Cuidar de mim mesma não é autoindulgência, é autopreservação, e isso é um ato de guerra política.”
Hoje, cortar o cabelo foi um ato de autocuidado. Um gesto de liberdade.
E isso, para mim, é felicidade.
E pra você, leitor(a)?
É felicidade ou alegria?
Por Camila Franco
“Felicidade é um estado de espírito.”
Feminista, comunicóloga, líder de projetos no Sebrae/PR, especialista em vendas, voluntária em causas sociais e ambientais. Apaixonada pela maternidade, criadora do @MaternidadeFranca fanpage e grupo de acolhimento materno desde 2016.
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*Audre Lorde – escritora, poeta, professora e ativista afro-americana, reconhecida mundialmente por seu trabalho nas interseções entre raça, gênero, sexualidade e classe. Ela nasceu em 1934, em Nova York, e se descrevia como uma “lésbica, feminista, negra, mãe, guerreira e poeta”, deixando claro que sua identidade múltipla era também sua força. Seu legado: é uma das vozes mais citadas em estudos sobre feminismo negro, interseccionalidade e teoria queer. Sua vida e obra continuam inspirando mulheres, especialmente negras e LGBTQIAP+, a viver com coragem, consciência e poesia.
Um pensamento em “Felicidade ou Alegria?”
Uma honra fazer parte deste lugar <3 #umamulherinspiraoutra #autocuidado #felicidade