Por Lênia Luz
Tem uma diferença enorme entre falar e se posicionar.Falar é fácil.
Posicionar-se exige risco, coerência e, principalmente, renúncia.
Nos últimos dias, muita gente comentou o posicionamento de Bad Bunny na NFL. Não foi só sobre música. Foi sobre idioma, identidade, território e poder. Enquanto o palco mais mainstream do entretenimento esportivo norte-americano espera adequação, Bad Bunny fez o oposto: não suavizou sua origem, não traduziu sua mensagem, não se moldou para caber.
Ele não pediu licença.Ele ocupou.
E isso diz muito sobre posicionamento.Posicionamento não é slogan bonito no LinkedIn.Não é frase ensaiada em painel.Não é postar a pauta “certa” na data “certa”. Posicionamento é quando você sustenta quem você é mesmo quando o ambiente não foi desenhado para você.
No mundo corporativo, vejo muitas marcas e lideranças dizendo:“Precisamos falar sobre diversidade, equidade, saúde emocional.”Mas falar não é o mesmo que assumir as consequências dessas falas.
Bad Bunny não explicou demais.Não traduziu para agradar.Não performou consciência social ele foi a mensagem.
E talvez aí esteja a maior lição.
Quando o posicionamento é verdadeiro:
– ele não pede aplauso
– ele não precisa de legenda longa
– ele atravessa
No trabalho que faço dentro das empresas como designer de experiências humanas, vejo isso o tempo todo: as pessoas não se conectam com discursos, elas se conectam com posturas.
Com quem:
✔️ escolhe coerência em vez de conveniência
✔️ sustenta valores quando ninguém está olhando
✔️ entende que tecnologia (inclusive IA) sem inteligência emocional só amplifica o vazio
Bad Bunny usou um palco global para reafirmar sua identidade.E identidade é política.
É cultural.É estratégica.
Posicionar-se é decidir o que você não negocia, mesmo que isso custe likes, contratos ou conforto.
A pergunta que fica para nós simples mortais, marcas e lideranças , é simples e desconfortável:
O que em você é essência… e o que é apenas adaptação para caber?