Qual é a sua resistência interna para realizar mudanças?

Por Bárbara Stainsack

Que o ser humano é um bichinho resistente à mudança, isso todas nós já estamos cansadas de ouvir, e pelo que parece, também de saber. Como empreendedoras a gente lê bastante sobre o tema e principalmente relacionando-o com mudanças organizacionais e o cenário instável para a aventura de gerir uma (ou mais de uma) empresa no Brasil.

Hoje faço um convite para refletirmos sobre a resistência à mudança do ponto de vista interno. Isso mesmo, olhando para dentro de nós mesmas e procurando compreender o que acontece quando nos deparamos com uma situação nova ou quando simplesmente tomamos a decisão de iniciar uma modificação em nossas vidas.

Não tenho dúvidas de que todas as pessoas buscam efetuar alterações em seus caminhos, comportamentos e em suas escolhas sempre com a intenção de evoluir, melhorar, buscar um novo resultado. Porém, a tal da resistência nem sempre nos permite que estejamos livres, então, às vezes nós desejamos muito aquela determinada mudança, mas nem sempre estamos dispostas a mudar o tanto quanto é necessário para conquistar o novo estado desejado.

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Fonte da Imagem: Paula Soares

Exemplos? São muitos… Vou citar somente dois deles e convido-as para vasculhar dentro de si quais são os seus exemplos mais importantes ou que já se tornaram urgentes nesse momento.

Exemplo 1: Após uma discussão com uma pessoa próxima (amiga (o), alguém da família ou de um relacionamento amoroso), chega-se a um acordo em que as partes envolvidas comprometem-se em evitar atitudes destrutivas, em se abrir a uma nova ideia ou aceitar determinada maneira de pensar que é diferente da sua (desde que não faça mal a ninguém, é claro). Diante da primeira oportunidade de adotar o novo comportamento acordado, o esforço que se deve empregar para não retomar à velha atitude muitas vezes é imenso, e é natural que muita força de vontade deva ser aplicada para colaborar com a mudança efetiva que levará a melhoria da relação em questão. No calor da hora, nem sempre conseguimos aplicar esse esforço, e de repente, estamos repetindo o mesmo “erro” e voltando atrás no que havia sido combinado.

Exemplo 2: Deparamo-nos com uma realidade que nos escancara que a nossa saúde física não vai bem, às vezes por uma doença que se instala, por resultados de exames nada positivos, um parecer médico, etc. As recomendações? Mais atividade física, alimentação balanceada, pausas para relaxar, mais tempo para si e para os seus. Caso estejamos habituados a abraçar o sofá após um longo dia de trabalho e abrir uma embalagem com sal, açúcar, carboidrato e outros ingredientes artificiais para trazer bem-estar momentâneo através do estômago, mudar esses comportamentos internalizados para uma rotina completamente diferente, será uma árdua missão. Vejam só, mesmo conscientes de que a velha escolha não trará bons resultados, resistimos e não concentramos nossa energia para adotar novos hábitos, não superamos a preguiça em ter de estudar novas receitas, descascar mais, cozinhar mais, limpar mais o nosso fogão. Não conseguimos sacudir a poeira e sair para uma caminhada. Deixamo-nos atropelar pelas exigências da vida e pelas contas a pagar, esquecendo que dentro em breve a própria vida vai nos exigir consertos e cobrar a dívida em relação a nós mesmas.

Estejamos atentas e vamos flagrar o nosso cérebro – que adora os cenários já conhecidos e a zona de conforto – quando ele quiser dominar nossas ações. Vamos entender que a missão dele é nos manter seguras, mas isso ocorre de modo primitivo, combatendo o tempo todo qualquer coisa que possa nos trazer medo (o famigerado desconhecido). Por isso precisamos criar coragem até mesmo para as pequenas alterações em nosso dia-a-dia, focando no resultado lá na frente e não neste medo que é somente uma reação momentânea.

Falando assim dessas situações comuns e hipotéticas, talvez a gente perceba quanto nos deixamos levar por nossas escolhas inconscientes. Por que não percebemos isso no momento em que elas estão acontecendo? Porque percebê-las também exige esforço, exige alto grau de comprometimento consigo mesma e a frequente afirmação interna de que “estou pronta para efetuar as mudanças necessárias para minha melhoria contínua, hoje quero estar melhor do que ontem”. Sim, melhorar e evoluir como ser humano é uma mudança constante e estaremos verdadeiramente abertas a essas mudanças somente quando também estivermos dispostas a executar o esforço de mudar.

 

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