Nos últimos dias, percebi meu corpo pedindo uma pausa. Não foi um pedido sutil. Foi um grito silencioso que me levou direto para a cama, embaixo das cobertas, com a estranha sensação de que nada do que estava lá fora merecia minha presença.
Duas tardes seguidas de sono profundo, um misto de angústia e taquicardia, e a companhia da minha filha como cúmplice involuntária desse recolhimento. Só hoje veio a resposta: mais uma vez a TPM me pegou de surpresa.
O ciclo invisível
A tensão pré-menstrual não é apenas um detalhe biológico ou uma fase de mau humor que pode ser ignorada com uma piada. É um fenômeno que mexe no corpo e na mente, com sintomas que muitas vezes se confundem com quadros de ansiedade, depressão e até transtornos de humor.
Euforia, choro, medo, taquicardia, sono excessivo, irritabilidade — como se o corpo fosse palco de uma multidão de vozes tentando falar ao mesmo tempo.
De repente, me vejo em alerta, questionando: “e se for uma crise de ansiedade? e se for algo pior?”
E então, quando a menstruação chega, quase como o apagar das luzes de um espetáculo intenso, vem um alívio físico. É como atravessar uma linha de chegada depois de uma corrida exaustiva. O corpo, enfim, respira.
Entre médicos e decisões difíceis
Diante desse ciclo que se repete, preciso repensar meu tratamento psiquiátrico e ouvir novamente meu médico. Ao mesmo tempo, minha ginecologista sugere reposição hormonal, mas o medo dos efeitos colaterais ainda me paralisa. Como confiar no corpo quando ele próprio parece tão instável?
Essa encruzilhada é comum a muitas mulheres: seguir pela via da medicação, ajustar hormônios, buscar terapias complementares, ou tudo isso junto. Não existe resposta única. O que existe é a urgência de olhar para si com seriedade, sem normalizar o sofrimento.
Terapia como respiro
Retomar a terapia é meu próximo passo. Não apenas para entender o que o corpo fala, mas para dar voz às emoções que insisto em empurrar para debaixo do tapete. É no espaço terapêutico que consigo organizar pensamentos, acolher angústias e criar estratégias para lidar com esse turbilhão.
O desapego que também cura
Esse processo me ensinou que o desapego consciente não é apenas sobre coisas materiais, mas também sobre abrir mão da necessidade de controle absoluto. Desapegar da ideia de que preciso estar bem o tempo todo.
Desapegar da culpa por descansar.
Desapegar da cobrança de ser produtiva quando o corpo só pede pausa.
Às vezes, o maior ato de coragem é admitir a fragilidade e aceitar ajuda.
Escrito por Camila Franco, feminista, comunicóloga, líder de projetos, especialista em vendas, voluntária em causas sociais e ambientais. Apaixonada pela maternidade, criadora do @MaternidadeFranca fanpage e grupo de acolhimento materno desde 2016. Instagram: @camilafrancoafranca.
Parceiras do Congresso Internacional de Felicidade e temos um cupom especial de desconto para que você possa fazer parte. *Use o código: ROSA*. Link: https://encurtador.com.br/CKExv