#Autoestima
“Vai adotar o estilo W. Bonner?”
À primeira vista, parecia uma piada qualquer. Mas a frase ficou martelando na minha cabeça por dias. A pessoa se referia à minha mecha branca de cabelo, que hoje aparece na minha franja.
Na hora, respondi com humor: “Não! Só não estou escondendo minha natureza. Aliás, quando criança, meu sonho mesmo era parecer a Mortícia Addams.” Rimos e seguimos a noite. Mas por dentro fiquei com a pergunta: por que alguém sente necessidade de opinar sobre a aparência do outro?
E se aquela mecha fosse resultado de uma condição de saúde?
E se eu não tivesse recursos para “esconder”?
E se fosse, simplesmente, a minha escolha?
É nesse tipo de “brincadeira leve” que moram as microagressões – falas que parecem pequenas, mas que carregam julgamentos e podem corroer a autoestima.
Como lembra Naomi Wolf em O mito da beleza, vivemos numa sociedade que alimenta padrões inalcançáveis: nunca somos “bonitos o suficiente”, “jovens o suficiente” ou “adequados o suficiente”. A filósofa Susan Sontag já apontava a “dupla moral da idade”: homens grisalhos são vistos como charmosos, enquanto mulheres grisalhas são taxadas de desleixadas.
#Preconceitos
Muitas vezes, preconceito não aparece em gestos explícitos, mas em piadinhas, comentários soltos e comparações desnecessárias. É a banalidade do mal-estar.
A psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa explica em seus livros que o bullying e os comportamentos tóxicos nascem exatamente dessa repetição de violências simbólicas. A cada palavra atravessada, a pessoa alvo pode sentir raiva, vergonha ou até se punir internamente.
A ciência também confirma: segundo pesquisas da psicóloga Naomi Eisenberger (UCLA), a rejeição social e os comentários negativos ativam no cérebro as mesmas áreas ligadas à dor física. Ou seja: palavras doem tanto quanto ferimentos.
O psicólogo e escritor Rossandro Klinjey costuma lembrar que “ninguém pode dar o que não tem”. Muitas vezes, quem dispara comentários ácidos está transbordando suas próprias dores e inseguranças. Isso não justifica a agressão, mas nos ajuda a perceber que não precisamos internalizar falas tóxicas como verdades sobre nós.
Não é à toa que governos e instituições vêm levantando campanhas para conscientizar sobre preconceito. Um bom exemplo é o projeto baiano “Aqui é Bahia, aqui é respeito”, que chama atenção para a responsabilidade coletiva em construir um ambiente mais respeitoso (assista aqui).
#A cura é sempre pelo amor
Se palavras podem ferir, também podem curar. O psicólogo Marcos Lacerda defende o diálogo, o amor-próprio e a comunicação honesta como ferramentas de transformação nas relações.
Rossandro Klinjey também aponta que o afeto é uma força social: “O amor não é só um sentimento, é uma postura diante da vida”. Escolher nossas palavras com responsabilidade e cultivar o amor como prática diária são formas de frear violências sutis e fortalecer a saúde emocional.
Isso significa aprender a se posicionar com firmeza, colocar limites e, ao mesmo tempo, não permitir que comentários maldosos ditem a forma como nos vemos.
No fim, a responsabilidade é de todos nós: pensar antes de falar, escolher não reforçar padrões que machucam e promover encontros que levantam, em vez de derrubar.
A cura começa sempre pelo amor — o que oferecemos e o que cultivamos em nós mesmos.
Escrito por Camila Franco, a franca. :Feminista, comunicóloga, mentora e líder de projetos no Sebrae/PR, especialista em vendas, voluntária em causas sociais e ambientais. Apaixonada pela maternidade, criadora do @MaternidadeFranca fanpage e grupo de acolhimento materno desde 2016.
Em tempo: Nos dias 08 e 09 de novembro de 2025, acontece em Curitiba o VII Congresso Internacional de Felicidade com nomes renomados entre eles o psicólogo Rossandro Klinjey também estará lá!
E aproveita, temos um cupom especial de desconto para que você possa fazer parte. *Use o código: ROSA*. Link: https://encurtador.com.br/CKExv