Empoderamento Feminino

Quando a felicidade vai embora – Parte 2

Uma conversa sobre tristeza, depressão e o tempo das coisas

No último artigo, falei sobre como a felicidade pode ir embora em dois momentos muito específicos:

Na ausência de humor e na presença da depressão.

Enquanto o humor é uma escolha — que pode ser cultivada no dia a dia como quem rega um jardim , a depressão é uma doença. E, diferente do humor, não se trata de uma fase ruim ou de uma tristeza profunda. Ela se instala no corpo, na mente e na alma. E por mais que a gente deseje que ela vá embora, não desaparece com esforço ou pensamento positivo. Exige cuidado, tratamento e, muitas vezes, coragem para pedir ajuda.

Hoje, quero abrir uma nova parte dessa conversa: a que fala do luto, da depressão e da importância de saber a diferença entre os dois.

Não estou sozinha , e talvez você também não esteja

Escrevo como quem já atravessou esse terreno escuro. Como quem já precisou encontrar pequenos faróis para continuar. Como quem compreende que a depressão não tem um rosto, uma fórmula, nem um motivo claro.

Ela pode chegar no meio da festa, no meio de um projeto, no meio de uma maternidade desejada.
Pode aparecer em quem sorri para todo mundo. Em quem está sempre “dando conta de tudo”.
Em quem parece forte demais para desabar.

E se hoje eu consigo escrever sobre isso, é porque reconheço minha humanidade e minha vulnerabilidade. E sei que muitas pessoas , talvez até você que está lendo, carregam essa dor em silêncio, com medo do julgamento, da incompreensão, do rótulo.

Luto não é depressão

São experiências diferentes, e isso precisa ser dito. O luto é o processo de despedida, de elaborar a ausência.

Eu vivi o luto como uma despedida com o meu tio Xandy e foi uma travessia longa.Durante cerca de cinco anos, era difícil falar dele sem engasgar.A saudade me pegava nos momentos mais inesperados: num happy hour com amigos, num copo de cerveja gelada na mesa do bar, numa música no rádio, no trânsito ou no meio do expediente. Às vezes, as lágrimas vinham com tanta força que eu precisava parar tudo. Era tanta saudade que meus olhos se enchiam e me impediam de enxergar.

Mas não foi durante esse luto que vivi a depressão. A depressão entrou na minha vida de outros modos

Ela apareceu, primeiro, através de duas pessoas muito queridas, em momentos diferentes.Acompanhei de perto. Dei apoio com minha presença, com escuta, com cuidado, até que elas pudessem sustentar seus próprios movimentos. Seguia com os meus também e fazia terapia sempre que necessário. E algo que escutei nesses atendimentos ficou marcado: “Apoie, mas não abrace o problema para você.”

Essa orientação parecia simples, mas foi um grande desafio emocional.Principalmente para quem tem um impulso natural de acolher e resolver.Aprendi, com esforço e prática, a estar junto sem me anular.

Quando percebi… eu estava lá também

Sou alguém que sempre sentiu alegria em viver.
Desde os 24 anos, fazia tratamento para estresse e ansiedade, especialmente em momentos de crise , mudanças, carreira, emoções, gestão do tempo, escolhas, maternidade… Aos 37, percebi que meu esforço para “dar conta de tudo” estava alto demais. Trabalhava muito. Sentia culpa por descansar. Dormia mal.
Estava esgotada. E aos poucos, aquilo começou a afetar tudo: trabalho, saúde, maternidade, relacionamentos.

Busquei ajuda. Só a terapia já não dava conta, e fui para o psiquiatra.Comecei a medicação. Por um tempo, parecia estar tudo melhor.Até que um dia, a euforia chegou com força. Tive uma crise de hiperatividade emocional. Uma ânsia intensa de viver e produzir tomou conta de mim. Não dormia. Gastava sem controle. Esquecia coisas importantes. Fiz coisas sem sentido.Tive apagões.E então, como num curto-circuito, apaguei.

A depressão nem sempre é tristeza profunda. Às vezes é excesso. Às vezes é vazio.

A depressão pode vir como ausência de vontade, como excesso de energia mal canalizada, como um corpo que não obedece ou uma mente que atropela tudo. Pode vir como cansaço. Como confusão. Como um grito mudo.Ela não tem uma forma só.

E é por isso que reconhecer e nomear é tão importante.Ajudar o outro é necessário, mas se ajudar é vital.Cuidar de si não é egoísmo é base para continuar em pé, com leveza possível.

💭 E você, como tem se sentido ultimamente?

Você tem parado para perceber seus sinais? Tem buscado apoio quando precisa ou ainda se cobra dar conta de tudo sozinha?

Falar sobre depressão é um ato de amor e responsabilidade.
É dar voz a uma dor que, quando ignorada, cresce em silêncio.
É também abrir caminhos para que outras pessoas possam se reconhecer e buscar ajuda.

Você não está sozinha. E não precisa estar.

Se você ou alguém próximo está enfrentando sintomas de depressão, não adie o cuidado.
Procure ajuda profissional. Há caminhos. Há apoio. Há saídas.

📌 Contatos úteis no Brasil:

📞 CVV – Centro de Valorização da Vida
Ligação gratuita: 188 | www.cvv.org.br

🏥 CAPS – Centros de Atenção Psicossocial
Atendimento gratuito pelo SUS. Busque a unidade mais próxima.

👩‍⚕️ Psicólogos e psiquiatras
Procure profissionais registrados no CRP ou CFM.

👥 Aplicativos de terapia acessível:

  • Zenklub
  • Vittude
  • Psicologia Viva

Em memória ao tio Xande(y), que me ensinou a rir mesmo quando a vida doía.Você continua sendo farol.

Em gratidão à Lênia Luz, pelo espaço, pela transparência e vulnerabilidade.

Minha mentora, uma incentivadora incansável de mulheres que também cansa.

Com amor, por Camila Franco.

“Felicidade é um estado de espírito.” Feminista, comunicóloga, líder de projetos no Sebrae/PR, especialista em vendas, voluntária em causas sociais e ambientais. Apaixonada pela maternidade, criadora do @MaternidadeFranca fanpage e grupo de acolhimento materno desde 2016. Instagram: @camilafrancoafranca

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