Empoderamento Feminino

O risco de permanecer: quando a felicidade também pede movimento

Por Lênia Luz

Há uma frase que escuto com frequência nas minhas mentorias e que, de alguma maneira, sempre me convida a parar e escutar um pouco mais: “Eu sei que preciso mudar, mas não sei se tenho coragem.”

Ela quase nunca aparece sozinha. Vem acompanhada de uma história construída ao longo de anos: uma carreira, uma posição conquistada, relações profissionais, reconhecimento, responsabilidades e, muitas vezes, uma identidade inteira associada àquele lugar.

Mas vem também acompanhada de uma sensação difícil de explicar. A pessoa sabe que alguma coisa mudou. O trabalho já não produz o mesmo entusiasmo. A rotina começa a pesar. Aquilo que antes fazia sentido já não responde às mesmas perguntas. E, ainda assim, mudar parece assustador demais.

“E se eu sair e me arrepender?”

“E se eu não conseguir recomeçar?

“Será que ainda é hora?”

São perguntas legítimas. E talvez justamente por isso eu não acredite em respostas prontas quando falamos de escolhas de vida e carreira.

Nas mentorias, meu papel não é dizer para alguém “vá” ou “fique”. É ajudar a pessoa a escutar o que está acontecendo antes de tomar uma decisão.

Porque fomos educados para pensar muito sobre o risco de mudar, mas pouco sobre o risco de permanecer.

Permanecer em um lugar que já não nos representa também tem um custo. Permanecer em uma posição apenas porque ela oferece reconhecimento. Continuar seguindo um plano que foi construído por uma versão de nós mesmos que talvez já tenha mudado. Adiar uma escolha porque o conhecido, mesmo desconfortável, parece mais seguro do que aquilo que ainda não conseguimos enxergar.

E aqui existe uma questão que considero fundamental quando falamos de felicidade: Felicidade não é ausência de desconforto. E também não significa viver permanentemente satisfeita, sem conflitos ou sem incertezas.

Felicidade tem muito mais relação com a possibilidade de construir uma vida que faça sentido. Uma vida na qual nossas escolhas tenham alguma coerência com aquilo que somos, com aquilo que valorizamos e com aquilo que desejamos continuar sendo.

Por isso, às vezes, uma mudança pode ser também um movimento em direção à felicidade.

Não necessariamente uma grande ruptura. Pode ser uma conversa que precisava acontecer. Um limite que finalmente é colocado. Uma nova possibilidade profissional que começa a ser considerada. Um projeto que sai do campo das ideias. Uma pausa. Um reposicionamento. Ou simplesmente a coragem de admitir: “isso já não faz sentido para mim.”

Existe muita maturidade em reconhecer isso.E existe também muita responsabilidade.

Porque mudar não significa jogar fora tudo o que construímos. Ao contrário. Levamos conosco nossa experiência, nossas relações, nossos aprendizados, nossas competências e até os caminhos que não deram certo.

Uma trajetória não é uma sentença.Ela pode ser revista.

Autoliderança é isso, tem menos a ver com ter todas as respostas e mais com desenvolver a capacidade de fazer perguntas honestas.

O que ainda faz sentido para mim?

O que estou sustentando apenas porque tenho medo de perder?

O que estou protegendo ao permanecer?

O que poderia nascer se eu abrisse espaço para o novo?

E aí trago a pergunta mais importante: Qual é o risco de continuar exatamente onde estou?

Tenho pensado muito sobre isso porque, ao longo do meu trabalho na Illuminas, encontro pessoas que não estão necessariamente precisando de mais conhecimento. Elas já sabem muito. Têm experiência, repertório, competência. O que muitas vezes falta é um espaço para pensar. Um espaço de escuta. Um espaço onde possam desacelerar o ruído externo e voltar a ouvir a própria voz.

É também por isso que acredito tanto na importância da Saúde Social e das redes de apoio. Nenhuma transformação acontece completamente sozinha. Precisamos de relações que nos permitam conversar, questionar, experimentar novas possibilidades e, principalmente, não nos sentirmos sozinhos diante das escolhas.

E em tudo isso, está tambem a felicidade: não em encontrar uma fórmula para viver sem riscos, mas em construir recursos internos e relacionais para atravessar as mudanças que a vida inevitavelmente nos apresenta.

Porque algumas oportunidades chegam como certezas. Outras chegam apenas como uma inquietação.

E há aquelas que começam com uma pergunta: “E se?”

Talvez não precisemos ter todas as respostas para começar a caminhar. Precisamos apenas estar atentos para não confundir segurança com imobilidade. E, quando uma nova possibilidade surgir, talvez valha a pena perguntar não apenas “o que posso perder se eu for?”, mas também: “O que posso deixar de viver se eu ficar?”

É nessa intenção de ampliar conversas sobre felicidade, escolhas, relações, propósito e as muitas formas de construir uma vida com mais sentido que quero fazer um convite especial. Garanta sua participação no Congresso Internacional de Felicidade Use o cupom de desconto 10% OFF: ROSA

E, até lá, seguimos juntas e juntos por aqui:

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